Para dentro da cabana eu me retiro, carregando o almofariz cheio das ervas que vão me dar visão.
Lá fora Jonas e o branco conversam, as corujas chamam umas às outras e os morcegos agitados
percorrem os céus. Aqui dentro me torno separada. Se aqui pudessem entrar, não me encontrariam.
Derramo o conteúdo do almofariz num copo de barro cheio de água quente, enchendo de vapores
cheirosos a cabana. Já começou. Eu já posso vê-los lá fora. Posso ver os outros escondidos não tão
longe de nós.
Minhas mãos trazem para a boca o chá quente. A poção desce pela minha garganta e preenche o
meu corpo com o seu calor. A sensação da pele descolando, abrindo espaços para os pequenos olhos
espalhados no meu rosto nunca deixa de perturbar. Mas o desconforto logo passa e eu vejo.
As aves fazem silêncio e o céu é obscurecido por nuvens sem chuva. Sim, eu estou vendo.
Na escuridão da cabana meus olhos estão abertos. Trago novas que já chegaram sujas de fuligem. A
verdade da alma se diz em palavras, mas a do corpo se esconde nas trevas. E se na luz caminhasse,
não haveria um que nos olhos me olharia.